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Terraplenagem

A construção descrita foi feita sobre um terreno nivelado com uma diferença maxima entre o ponto mais baixo e mais alto de 10cm. Foi contratado o serviço de uma maquina para fazer a terraplenagem

Se o nivelamento fosse manual, deveríamos usar uma "mangueira de nivel" para marcar o nivel em estacas fincadas ao solo, localizadas em diferentes pontos do terreno. Mangueira de nivel nada mais é que uma mangueira transparente cheia de agua. Mesmo estando em pontos distantes e desiguais (mais altos ou mais baixos) o nivel nas extremidades da mangueira é sempre o mesmo desde de que não haja bolhas de ar. Para conferir o nivel da mangueira basta unir as pontas (ver desenho):

Locação da obra (marcação dos esteios de canto)

A marcação da obra não foi feita nem conferida com o rigor necessario descrito no método abaixo, por isso aconteceram alguns problemas na hora de fazer o telhado. Observe nesta foto a ripa afastada do espigão, tipico de uma construção mau esquadrejada.

Tamanho original

Em outra obra, ja sabendo das consequencias da falta de atenção, a locação foi feita com mais seriedade, fincando estacas, esticando linhas amarradas nas estacas e locando o centro dos esteios nos cruzamentos dessas linhas. Sempre conferindo e se preciso, mudando as estacas de lugar para os ajustes finais

Veja no desenho abaixo. Iniciamos fazendo 2 retas paralelas, que representam o alinhamento de duas paredes externas (fachadas de frente e fundo por exemplo). Como? Para fazer a primeira reta, fincamos duas estacas, tiramos o nível, unimos essas estacas com uma linha amarrada aos pontos de nível e medimos comprimento C dessa linha entre as duas estacas. Para a segunda reta, fincamos uma terceira estaca a uma distancia x da primeira (distancia definitiva de projeto) amarramos uma linha nesta estaca no mesmo nível que as primeiras e amarramos a outra ponta dessa linha numa quarta estaca sem fincar, deixando como C o comprimento entre estacas (mesmo comprimento que a primeira reta), fincamos a quarta estaca com a mesma distancia x da segunda e nivelamos na batida da fincada, usando uma outra estaca como guia de nível.

Depois fizemos uma terceira reta (no caso, representada pelo alinhamento de uma das fachadas laterais) perpendicular às paralelas e nivelada no mesmo ponto que as primeiras. Como? Fincamos uma quinta estaca, amarramos uma linha nesta estaca no mesmo nível que as primeiras, amarramos a outra ponta dessa linha numa sexta estaca sem fincar, esticamos a linha e tentamos formar umangulo de 90 no cruzamento das linhas, usando um esquadro. Achado o esquadro, fincamos a estaca e nivelamos na batida da fincada usando uma outra estaca como guia de nível. Conferimos esses ângulos (esquadro) usando um esquadro comum ou o método do triangulo retângulo 3m 4m e 5m. A ultima linha que representa a outra fachada lateral fizemos do mesmo jeito que a segunda linha, usando a distancia y do projeto e do mesmo jeito que a terceira linha, formando esquadros, sempre no mesmo nível. Conferimos novamente os esquadros e as medidas.

A ultima conferencia esta explicada no desenho abaixo, os espigões "e" têm que ter a mesma medida. As paredes e esteios internos foram facilmente locados medindo distancias

Fundação

O nivelamento das brocas/pilaretes e valas não foi feito da maneira descrita abaixo, o que acarretou em serios problemas com relação ao afastamento dos esteios e paredes da umidade do solo. Ajudou ainda mais no erro construtivo de afogar os bambus, comentado no relatorio sobre umidade. Em outra construção já sabendo desses problemas, procedemos da maneira a seguir, em outra ainda, decidimos aumentar os pilaretes para 60cm acima do terreno nivelado, afastando bem a umidade. Os esteios, mesmo não estando enterrados, sofrem com a terra da parede que permanece umida, por causa dos respingos da chuva. A parte do esteios que fica unida à parede se comporta como se estivesse enterrada.

Broca/Pilarete

Com as linhas já niveladas começamos abrir os buracos para as 12 brocas/pilaretes dos esteios, locadas nos cruzamentos das linhas, com profundidade de 1,00 metro a partir do nível do solo, usando trado ou cavadeira. Trabalhamos desamarrando a linha em apenas um ponto e não retiramos as estacas porque tínhamos que conferir os centros dos buracos a todo o momento e principalmente no momento da concretagem.

Escolhemos um ponto de esteio onde a distancia da linha ao chão era maior (ponto mais baixo). Por exemplo, se a maior distancia deu 20cm abrimos ai um buraco de 1,00m. Se a menor distancia deu 10cm, abrimos ai um buraco de 1,10 metros, 10 cm pra chegar na mesma altura que a primeira broca mais 1,00 metro de profundidade normal. A altura final dos pilaretes deveria ser no minimo 20cm acima do solo. No final toda a obra foi nivelada manualmente para que todosos pilaretes ficassem 20cm acima do solo e protegessem os esteios de eucalipto da umidade. Alguns pilaretes, apos o nivelamento manual do terreno, ficaram com o topo quadrado (formas) e a base redonda (broca) Isso foi disfarçado usando pedras como revestimento.

Fizemos as armações da broca/pilarete usando 4 barras de ferro de 10mm de 1,20m de comprimento (1 metro enterrada, 20cm para fora) amarradas com estribos de ferro de 5mm a cada 20cm, usando arame recozido. Amarramos uma barra de ferro de 12mm por 1 m de comprimento no centro das armações para serem encaixadas nos esteios. Fizemos as formas dos pilaretes usando tabuas de 20cm de largura. Concretamos a broca/pilarete usando concreto feito com 6 latas de 20L de areia grossa (concreto sempre com areia grossa), 6 latas de 20L de pedra 1 e um saco de cimento. Primeiro misturamos cimento com areia, depois os dois com a pedra e finalmente, colocamos água. A água tem que ser suficiente para a mistura, concreto muito "mole" tem baixa resistência e pode haver fuga de cimento com o escoamento do liquido, por outro lado, não há reação de todo o cimento quando o concreto está muito seco. O tempo de concretagem não pode ultrapassar 1 hora, correndo o risco do concreto perder a resistência, se trabalhado apos esse período. A conferencia mais importante da concretagem foi verificar se as barras centrais de 12mm das armações estavam exatamente no cruzamento das linhas. Não esquecemos de tirar o nivel na concretagem para que todos os pilaretes ficassem nivelados

Valas

Atenção! As valas foram feitas antes da estrutura, errado, é muito mais facil fazer após a estrutura pronta, para achar o alinhamento e prumo das paredes, usando as travessas como guia.

Abrimos as valas de 20cm de profundidade e 30cm de largura em todos os lugares que iriam paredes respeitando o nivelamento. Escolhemos um ponto de vala aonde a distancia da linha ao chão era maior (ponto mais baixo). Por exemplo: se a maior distancia deu 20cm abrimos aí uma vala com 20cm de profundidade. Se a menor distancia deu 10cm abrimos aí uma vala de 30cm, 10 cm para chegar na mesma altura que o primeiro ponto mais 20cm de profundidade normal. Socamos pedras obtidas no próprio terreno nas valas respeitando o nível, a medida que eram socadas eram trituradas e se compactavam. Fizemos um lastro de concreto (3 Latas de 20L de areia grossa,3 Latas de 20L de pedra e uma Lata de 20L de cimento) em cima das pedras socadas (fina camada de concreto). Assentamos uma fiada de pedra de +- 20cm de altura em toda a extensão da vala, usando cimento e areia grossa, aumentando a altura para 40cm no banheiro. A intenção da fiada foi isolar a parede de pau a pique do solo, tanto o bambu como a terra são muito sensíveis a água, um pode apodrecer o outro passar umidade para dentro de casa e ate descolar o reboco. Retiramos o excesso de terra em volta da fiadas e pilaretes, nivelamento manual.