Alvenaria

Bambu

O manuseio e tratamento do bambu são muito importantes, ver site bambu brasileiro. Na minha opinião, o melhor tratamento do bambu em relação a custo e beneficio é o de imersão em agua parada ou corrente durante algumas semanas. Não tinhamos como fazer isso, então decidimos usar o bambu sem tratamento para diminuir os custos. Como era de se esperar, o bambu apresentou carunchos por toda a constução, que foram sumindo com o tempo, hoje após 3 anos, não existe mais caruncho e os bambus observados nas sondagens que estão acima da faixa de umidade permanecem muito resistentes, apesar de apresentarem alguns furos provocados pelos carunchos. A opção por não tratar os bambus também surgiu da observação das casas antigas de pau a pique da regiaõ. Os bambus eram usados como ripas que com o passar do tempo ficaram aparentes em muitas paredes dessas casas. É facil obnservar que eles permeneceram inteiros com o passar do tempo.

Fixamos todos os mestres de bambu das paredes fazendo cavilhas nas travessas e encaixando-os embaixo por pressão numa distancia de 1m entre eles. Os mestres logo após e depois dos esteios e batentes foram pregados nos mesmos, na época não achei isso bom, entre o bambu e o esteio ficam espaços vazios que a terra não consegue preencher que podem servir de entrada de umidade ou casas para insetos. Na verdade quanquer método inclusive o de tijolos maciços fica um espaço vazio no encontro das paredes com os esteios. Espaço este que deve ser sempre rejuntado.

Na horizontal foram amarradas ripas de bambu (bambus cortados ao meio) usando arame liso galvanizado n° 20 de cima para baixo continuamente, emendando o arame quando necessario. A amarração foi feita no meio da parede nos bambus mestres e nas extremidades, nos bambu mestres pregados nos esteios e batentes. Antes de ripar as paredes colocamos os canos de água e conduites da parte elétrica.

Abaixo, desenho que representa a amarração da parede aos esteios, não representei todos os elementos, pregos, calços, bambus, ripas, inclusive os bambus mestres centrais para não carregar muito a imagem

Hoje 3 anos depois percebi que pregando os mestres de bambu nos esteios acabei deixando a parede bem mais estavel.

Preenchemos os espaços entre os mestres com bambus distantes entre 2cm a 5cm entre si, deveríamos ter feito com uma distancia um pouco maior. Se aumentarmos a distancia o preenchimento de barro fica demorado se diminuirmos muito o barro pode não preencher os espaços vazios entre os bambus e pode descolar facilmente, foi o que aconteceu em algumas partes em que os bambus ficaram muito unidos.

exemplo de dois tramos com espaçamento diferentes

Na verdade preferi este método por ser o mais usado pela polulação local, mais tarde descobri que esta forma de pau a pique chama-se quincha no Peru e em outros lugares da America do sul de tabiqueira. Ela é usada também em regiões onde há terremotos. É quase um empanado de bambu, vai muito menos terra que a maneira tradicional, aonde o espaçamento entre os bambus da vertical pode chegar até 40cm. Existem varias vantagens desse método, uma é que as paredes altas são feitas rapidamente e sem andaime, só com o uso de escadas. O bambu é leve e a pouca terra usada é levada em baldes. A grande quantidade de bambu forma uma barreira contra a umidade, as paredes de bambu bem unidos tem aspecto perfeito por dentro, as de bambu afastado amarelaram como nas fotos apresentadas no relatorio sobre umidade. Outra vantagem é a leveza da parede pela grande quantidade de bambu somada a firmesa e estabilidade que estes porpocionam a estrutura da casa como um todo, principalmente devido a amarração das ripas.

Terra

A terra usada no bambu a pique era livre de material orgânico, é proibido o uso de terra vegetal, aquela que fica na superfície do terreno até 45cm de profundidade e que possui coloração preta com galhos folhas e húmus.

A terra era bem argilosa, pegajosa, era um barro como dizem na roça. Misturamos terra e água até chegar numa mistura bem homogênea nem muito liquida nem muito seca, ideal para entrar nos vãos e se fixar, foi rápido aprender a chegar no ponto ideal, a segunda mistura ficou bem melhor que a primeira. Preenchemos a parede deixando as ripas à mostra.

Como usamos uma terra muito argilosa, ao secar a parede apresentou grande numero de fissuras que foram recobertas com o revestimento.

Revestimento

nossa argamassa de revestimento, reboco

1 saco 20 kg de cal virgem*
6 Latas de 20L de areia grossa
3 Latas de 20L de terra (a mesma da parede)

Um reboco mais resistente, recomendado

1 Saco de 20 Kg de cal virgem*
4 Latas de 20L de areia
2 Latas de 20 L de terra

Usamos colher de pedreiro para calcar, pressionar a argamassa na parede, não lançamos, como dizem os pedreiros, não "chapamos a massa" na parede. Fizemos uma espessura muito fina, o suficiente para recobrir as ripas de bambu, Alisamos com uma desempenadeira. Usamos pouca cal no reboco pois nossa intenção era usa-la em quantidade na pintura como uma nata bem fina, achamos que protegeria mais e seria mais econômico, o resultado foi satisfatório. Em outra construção fizemos o revestimento só de terra usando as mãos, obtendo uma grande produção, depois pintamos de cal. Hoje, depois de aguns anos, considero desnecesario o uso da cal no revestimento, só como pintura já é suficiente para proteger as paredes, inclusive as externas

Erramos ao fazer a espessura do reboco muito fina. Quanto mais grosso o revestimento melhor para proteger os bambus

* Cal virgem, cal viva ou cal aérea, é o produto resultante da "calcinação" de pedras calcarias a uma temperatura inferior a do inicio de sua fusão. A cal virgem possui propriedades que ao combinar-se com a água resulta no hidróxido de cálcio, cal extinta ou cal apagada. Esta reação é denominada de reação de extinção ou de queima da cal. É uma reação que gera muito calor, a adição de água deve ser cuidadosa, muito água esfria a reação, pouca água e a cal não reage por inteiro. Nos primeiro minutos deve-se cuidar da reação colocando água e mexendo constantemente, após um tempo pode deixar que ela vai sozinha. Eu uso um tambor de ferro de 200L (o de plástico derreteu!!) e uso até dois sacos de 20 Kg (o suficiente para duas pessoas trabalharem durante um dia, usando o primeiro traço descrito acima). Deixo a cal descansando (reagindo) a noite inteira para trabalhar só no dia seguinte. A cal extinta vendida pronta pelo fabricante está presente em larga escala no mercado, e é usada principalmente para argamassas de cimento, cal e areia. Hoje, ela não tem função de dar resistência ao revestimento apenas dar trabalhabilidade, coesão. Eu particularmente acho que esse produto vem contaminado por outros, pois é clara a diferença de um reboco feito com cal extinta na obra e um reboco com cal extinta já pronta (ensacada), é clara a diferença de, uma pintura feita com cal extinta na obra (in loco) por uma pintura feita com cal extinta ensacada. A cal extinta na obra resulta num reboco e numa pintura 1000 vezes mais resistentes a choques e a umidade do que a cal extinta vendida pronta e ensacada.